Aos 64 anos, Maria da Silva estreia como escritora publicada

Em 2017, a Linha a Linha abriu uma chamada de originais. Queríamos selecionar uma obra para a estreia do selo CAROLiNA, que publicará apenas escritoras negras estreantes. Recebemos cerca de 50 originais em um mês. Em 2018, oferecemos um ateliê com Lubi Prates para três escritoras cujas obras não haviam sido selecionadas para publicação no selo. Agora, em 2019, finalmente chega ao público o romance que escolhemos para lançar o selo: “Da Bagadinha aos Mocorongos”, de Maria dos Santos da Silva.

A obra remonta às memórias de sua família no Brasil após a assinatura da Lei Áurea. A autora, que passou a vida escrevendo sem publicar, faz sua estreia para o público aos 64 anos.

“Sou costureira, boleira, corretora de imóveis e chef de cozinha”

Maria dos Santos da Silva, autora que estreia o selo CAROLiNA, na Linha a Linha, em São Paulo.
Fotografia de Camila Rocha, @criolafotografa

Maria dos Santos da Silva é piracicabana e reside em Itanhaém/SP. Se define como “costureira, boleira, corretora de imóveis e chef de cozinha”, mas já trabalhou como cantora e bailarina num grupo de samba, com o qual percorreu a América do Sul durante quatro anos. Embora até este momento nossa autora nunca tivesse se denominado “escritora”, ela passou a vida escrevendo e guardando seus escritos.

Em 27 de julho de 2019, às 16h, com o lançamento da obra na Patuscada – Livraria & Café (R. Luís Murat, 40 – Pinheiros), em São Paulo, Maria passa a fazer parte de uma (infelizmente) minoria estatística de autoras negras publicadas no mercado literário. A data escolhida para o lançamento – 27 de julho – é simbólica pois encerra a semana do Dia da Mulher Negra Latinoamericana e Caribenha. A data foi proposta no 1º Encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas, em São Domingos, na República Dominicana, e prontamente acolhida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em deu calendário oficial. Desde 2014, no Brasil, a data também marcada no calendário nacional como Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, em homenagem à líder quilombola. Tradicionalmente, grupos feministas negros organizam uma série de ações e eventos no dia 25 de julho e ao longo do mês e da semana correspondentes, como forma de levar a público e da visibilidade à luta que ocorre em todos os demais dias do ano.

Durante e após o lançamento, as vendas serão feitas pela Livraria Africanidades com exclusividade, presencialmente e online, e direto com a editora Linha a Linha apenas online.


“Me despertei leitora e fã de literatura desde menina, após ficar órfã de pai e mãe aos 12 anos de idade. Encontrei amparo nos livros, que ajudaram a amenizar minha solidão; supriram em mim aquele sentimento de ter ficado como uma peça solta no mundo. Posso dizer que ler e escrever são tudo em minha vida. Significam a reconstrução da minha espinha dorsal. A leitura me salvou, me formou e me orientou na vida e na fé”.

(Maria dos Santos da Silva)